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O exercício da expressão

Diferença entre leitores e leitoras aparece ainda na infância e chama atenção para a maneira como os meninos se relacionam com os livros, expressam seus sentimentos e constroem sua masculinidade.

O exercício da expressão
Karen Cardial

Karen Cardial

Jornalista Especialista em Educação

  • Publicado em 13 outubro 2026

O Brasil perdeu 6,7 milhões de leitores entre 2019 e 2024. O dado é da última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em novembro de 2024, que registrou pela primeira vez uma maioria de não leitores no país: 53% da população. Para o levantamento, leitor é quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa, de qualquer gênero e formato, incluindo obras didáticas e religiosas. Isso significa que mais da metade dos brasileiros não havia lido sequer parte de um livro nesse período.

Os resultados revelam também uma diferença entre homens e mulheres: enquanto 50% das mulheres são consideradas leitoras, entre os homens o índice é de 44%. Ao buscar dados de outros países, o comunicólogo, produtor cultural e escritor Kim Wilheim Doria identificou um padrão semelhante. “Não encontrei nenhum país em que haja uma incidência maior de leitores homens do que de leitoras mulheres ou mesmo um número aproximado de 50% a 50%”, afirma.

Kim também é mediador de clubes de leitura e, nesses encontros, já havia percebido que as mulheres costumam ser maioria. Atualmente, coordena quatro clubes: o Axolotes, destinado a adultos que leem obras escritas para as infâncias; o Só Garotos, que convida especialmente homens a ler livros escritos por mulheres; o Clube do Livro do Sesc Avenida Paulista, dedicado à ficção científica; e o Clube de Leituras para Miúdos, voltado a crianças de 8 a 12 anos e realizado na Livraria Miúda, em São Paulo, especializada em literatura infantojuvenil.

Em uma conversa com a amiga Stéphanie Roque, editora da Companhia das Letras e coordenadora do projeto de clubes de leitura da editora, Kim ouviu uma observação que o fez pensar: os clubes de adultos funcionam principalmente como espaços de manutenção de leitores, e menos de formação. Quem procura esses encontros geralmente já tem o hábito de ler, chega por iniciativa própria ou aceita o convite de alguém. A presença majoritariamente feminina nesses grupos, portanto, acompanha uma diferença que já aparece nos índices de leitura da população adulta.

Foi no Clube de Leituras para Miúdos, voltado a crianças de 8 a 12 anos, que Kim encontrou um dado que o surpreendeu: também ali as meninas participam mais do que os meninos.

“Para mim, foi surpreendente já observar uma incidência maior de meninas em um clube de leitura para crianças. Isso chama a atenção para o fato de que a desigualdade vem desde cedo”, conta.

O fato de essa diferença estar presente desde a infância evidencia a dimensão do problema. Dos 8 aos 12 anos, o hábito de leitura ainda está sendo construído e consolidado. O clube, portanto, pode fazer parte da própria formação do leitor, e a maneira como uma criança chega até ele é diferente da experiência de um adulto.

Mesmo aquela que já gosta de ler e manifesta vontade de participar depende de alguém que a leve ao encontro. Para uma criança que ainda não estabeleceu esse vínculo com os livros, a atuação do adulto pode ser decisiva para que a experiência aconteça. Kim chama essa participação dos responsáveis de “iniciativa ativa” e procura incentivá-la especialmente quando conversa com pais, mães e outros cuidadores de meninos.

Uma vez no clube, muitos deles gostam da experiência e querem voltar. Ainda assim, Kim percebe que, entre as meninas, é mais comum que a participação se torne assídua. A presença menor dos meninos não é verificada somente na adesão ao clube, mas também na permanência.

Falar de um livro é falar de si

Para Kim, a diferença entre leitores e leitoras tem relação com a maneira como meninos e meninas são socializados. As meninas são mais incentivadas a conversar, expressar sentimentos, escrever um diário, aceitar a própria sensibilidade e se colocar de forma vulnerável diante de outras pessoas. Os meninos chegam a uma roda de leitura tendo exercitado menos essas formas de expressão.

Uma conversa sobre literatura pede justamente essa exposição. Além de se manifestar sobre a história, a criança também fala sobre a própria experiência diante dela. Precisa dizer o que entendeu, o que sentiu, do que gostou ou discordou, bem como ouvir as interpretações e experiências de outras crianças que leram o mesmo livro. Segundo Kim, essa troca coloca os meninos em uma posição de vulnerabilidade, o que explica, em parte, por que alguns deles se sentem menos à vontade nesses espaços.

Entre os 8 e os 12 anos, ele observa a presença intensa dos jogos, das brincadeiras corporais e do futebol na vida dos meninos. Em muitos casos, essas atividades ocupam praticamente todo o tempo livre disponível, deixando menos espaço para atividades como leitura, desenho, conversa e até para a “fofoca”, como ele diz.

O especialista observa que o corpo pode se tornar uma via privilegiada para aquilo que ainda não encontra outra forma de expressão. Ansiedades, tensões e sentimentos precisam sair de algum modo. “Na falta de encontrar o caminho da autoexpressão e da comunicação dos sentimentos, os meninos têm uma tendência maior a descarregar isso de maneira física e, por vezes, bruta”, explica. Nos encontros, Kim percebe os meninos mais inseguros para falar e menos dispostos a expor uma interpretação. A mediação procura construir a confiança para que eles experimentem esse lugar: é possível dizer algo que outra pessoa considere sem sentido e é permitido interpretar de maneira diferente, reformular uma ideia e discordar. Nada disso encerra a conversa.

A mudança não acontece em um único encontro. Kim conta que já ouviu de famílias que o filho saiu encantado e ansioso para voltar, mesmo tendo permanecido praticamente calado durante toda a roda. Estar presente, escutar e observar o grupo também faz parte dessa aproximação. “É desenvolver o hábito da leitura, o hábito de conversar”, explica.

Alguns meninos chegam a ironizar a proposta de um clube de leitura. Sentar-se em uma roda para conversar sobre um livro pode parecer “bobo”, uma atividade sem utilidade evidente. Kim associa essa reação à dificuldade de reconhecer o que se aprende em experiências que não oferecem resultados tão visíveis. No futebol, por exemplo, é fácil perceber o desenvolvimento de habilidades, o aprimoramento técnico e até imaginar a possibilidade de se tornar atleta profissional. Mas o que uma criança desenvolve ao conversar sobre livros?

“Se o adulto não tem o hábito da leitura, não dá o exemplo e não compartilha com a criança o prazer de ler, tem menos chance de contribuir para que ela desenvolva esse hábito”, afirma Kim Doria.

Repertório cultural, emocional e comunicacional

A mediação apresenta obras que a criança provavelmente não escolheria sozinha e a desafia a conhecer diferentes histórias, autores e maneiras de enxergar o mundo. O repertório cultural se amplia junto com o emocional e o comunicacional. Ao falar sobre uma personagem, uma passagem do livro ou os sentimentos despertados pela leitura, a criança exercita a escuta, aprende a organizar suas ideias, a lidar com interpretações diferentes e a encontrar palavras para a própria experiência.

Kim utiliza a imagem da boca de um jacaré para ilustrar como o desenvolvimento emocional e comunicacional de meninos e de meninas pode se distanciar ao longo dos anos. Quando a boca está quase fechada, as duas partes permanecem próximas. À medida que ela se abre, a distância entre elas aumenta. Algo semelhante pode acontecer quando as meninas são mais incentivadas a conversar, compartilhar suas experiências, expressar sentimentos e mostrar suas vulnerabilidades, enquanto os meninos são socializados de maneira diferente, que muitas vezes associa a expressão dos sentimentos à fraqueza.

Com o passar dos anos, essa distância pode se ampliar. Kim chama atenção para o risco de homens chegarem à vida adulta com um repertório emocional e comunicacional muito menos desenvolvido do que o das mulheres, inclusive para reconhecer os próprios sentimentos, compreendê-los e falar sobre eles. A diferença que ele observa nas rodas de leitura infantis, portanto, desperta uma preocupação que alcança também a maneira como homens e mulheres se relacionam.

Conquistar a leitura

A leitura costuma ser apresentada às crianças como algo que deveria ser naturalmente prazeroso. Contudo, o prazer decorrente da leitura depende de empenho que resulta em uma conquista. Ler é uma atividade profundamente desafiadora, que exige atenção, paciência, concentração e persistência. É preciso permanecer diante do texto, sustentar o foco, acompanhar uma narrativa, lembrar o que foi relatado páginas atrás, relacionar informações e construir sentidos. O leitor ocupa uma posição ativa durante todo esse processo.

“O prazer da leitura é proporcional ao investimento realizado pelo leitor nessa atividade. Encontrar livros e leituras que reverberem em nosso ser, em nossa existência, é profundamente prazeroso. E parte desse prazer vem da conquista de uma atividade desafiadora, que exige de nós uma postura ativa”, explica Kim. Essa característica ajuda a entender por que formar o hábito da leitura exige mediação e continuidade. Crianças convivem hoje com atividades capazes de oferecer estímulos rápidos, mudanças constantes e recompensas imediatas. A leitura pede outra relação com o tempo. Mesmo nos jogos, que também podem exigir participação ativa e desenvolver habilidades complexas, a dinâmica de estímulos é diferente daquela de permanecer diante de um texto.

Conquistar a leitura significa descobrir prazer dentro dessa exigência. Kim explica que recomendar livros ou dizer que ler faz bem tem alcance limitado. A criança precisa encontrar obras capazes de dialogar com sua experiência, ser desafiada por outras que não escolheria espontaneamente e contar com adultos dispostos a acompanhá-la nesse percurso.

O leitor que a criança vê

O exemplo dos adultos tem uma influência importante na formação de leitores. Na infância, ler junto, conversar sobre uma história e compartilhar o prazer de uma descoberta literária ajudam a construir uma relação com os livros que dificilmente se estabelece por imposição.

“Não basta dizer para a criança que ela tem que ler porque vai ficar mais inteligente ou porque precisa passar no vestibular. Se o adulto não tem o hábito da leitura, não dá o exemplo e não compartilha com a criança o prazer de ler, tem menos chance de contribuir para que ela desenvolva esse hábito”, afirma Kim.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil identifica professores e familiares entre as principais influências na formação de leitores. A participação dos docentes, entretanto, registrou uma queda de três pontos percentuais entre 2019 e 2024, período que inclui os anos da pandemia. O dado preocupa especialmente quando se considera que, para muitas crianças, a escola oferece oportunidades de contato com a literatura que não encontram em casa.

O exemplo pode vir também de figuras públicas admiradas pelos meninos. Kim conta o caso de Gustavo Scarpa, jogador do Atlético Mineiro, que compartilha suas leituras nas redes sociais e incentiva companheiros da equipe a ler. Sua influência chegou também às arquibancadas. Depois que uma indicação do jogador levou o romance A morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, ao topo da lista de mais vendidos da Amazon Brasil, torcedores do Atlético criaram o Galeitura, um clube dedicado à leitura e à discussão de livros. A iniciativa ganhou repercussão e inspirou torcedores de outros times a organizar seus próprios clubes de leitura. A presença da literatura no universo do futebol chama atenção porque muitos meninos dedicam boa parte do tempo livre às práticas esportivas, enquanto outras experiências culturais recebem menos atenção. Quando um jogador profissional demonstra entusiasmo pelos livros, oferece aos jovens torcedores uma referência masculina que concilia o esporte com o prazer de ler.

A experiência mostra a força de uma referência masculina que lê por interesse próprio, fala de livros com naturalidade e compartilha suas descobertas com pessoas que talvez não buscassem espontaneamente uma obra literária.

Crédito: Maskot / via Getty Images

Leitura reduzida

A escola tem participação decisiva na formação de leitores, especialmente entre crianças que encontram nela suas principais oportunidades de acesso aos livros. Mas a relação com a literatura pode mudar à medida que os estudantes avançam na escolaridade.

“É comum que, à medida que os jovens vão crescendo, as escolas lidem com a literatura de forma cada vez mais conteudista. Para se preparar para o vestibular, os estudantes são obrigados a ler muitos livros, frequentemente obras desinteressantes ou desconectadas do contexto da vida deles”, afirma Kim.

A leitura reduzida à preparação para provas favorece uma relação superficial com os livros. Em vez de mergulhar na obra, o estudante pode recorrer a resumos ou à inteligência artificial para encontrar as respostas de que precisa, sem necessariamente conhecer a história. O risco é que a literatura passe a ser associada à obrigação escolar, especialmente por aqueles que ainda não descobriram o prazer de ler.

“Cultivar o hábito da leitura, sabendo que é algo gratificante, mas extremamente desafiador e que vai demandar muito da pessoa leitora, exige boas educadoras e bons educadores empenhados, que reconheçam o desafio, que entendam a necessidade de persistir”, defende Kim.

Ele destaca a importância de profissionais “de corpo presente”, comprometidos com uma mediação ativa, abertos ao diálogo e sensíveis ao contexto dos estudantes. Essa disponibilidade, entretanto, depende de condições concretas de trabalho.

Mediação exige formação e acervo

A falta de investimentos na educação, a precarização das condições de trabalho e as dificuldades de formação e valorização profissional limitam as possibilidades de uma mediação de leitura consistente. A esse cenário somam-se a censura de livros e as pressões sobre escolas e professores, que podem comprometer a liberdade de escolha das obras e desencorajar discussões importantes para a formação dos estudantes. O receio de enfrentar conflitos também favorece a permanência dos mesmos títulos e de abordagens que pouco dialogam com a realidade dos jovens.

“Temos educadoras e educadores, bibliotecárias e bibliotecários fazendo milagre no país”, afirma Kim.

A formação de leitores também depende de bibliotecas que disponham de recursos para renovar seus acervos, manter profissionais qualificados e promover atividades culturais. Sem investimento contínuo, esses espaços perdem oportunidades de aproximar crianças e jovens dos livros, especialmente nas regiões em que o acesso à literatura é mais restrito.

“Eu frequento muitas bibliotecas, pego livros emprestados em bibliotecas municipais, estaduais e na escola do meu filho. Também frequento esses espaços com ele”, conta Kim.

O acesso à literatura pode ser ampliado ainda por iniciativas gratuitas como a BibliON e o MEC Livros, que disponibilizam acervos digitais ao público.

Homens lendo mulheres

Quando contou a uma amiga que planejava criar um novo clube de leitura, Kim recebeu uma sugestão que o levou a experimentar outra forma de mobilizar o público masculino: organizar encontros especialmente voltados aos homens.

A proposta ganhou força diante de um cenário que ele já conhecia: os homens leem menos que as mulheres, participam menos de clubes de leitura e tendem a procurar mais obras de não ficção. Também leem menos livros escritos por mulheres, enquanto as leitoras costumam circular com maior facilidade entre autores e autoras.

Assim nasceu o Só Garotos, clube dedicado à leitura de obras escritas por mulheres, com um convite especialmente dirigido aos homens. A participação é aberta a qualquer pessoa, mas a intenção é atrair leitores que raramente procuram esses espaços e estimular o contato com a produção literária feminina.

“Eu já imaginava que seria difícil mobilizar os homens para participar, e a experiência tem confirmado essa dificuldade”, conta Kim.

O clube começou com encontros presenciais em uma livraria, mas reunir participantes em uma noite de semana mostrou-se difícil. A mudança para o formato on-line eliminou a necessidade de deslocamento, sem resolver o problema da baixa adesão masculina. As reuniões acontecem na primeira segunda-feira de cada mês, das 19h às 20h, e são divulgadas no Instagram pelo perfil @olaolacultural.

A experiência também reforça a possibilidade de construir uma relação com os livros em qualquer etapa da vida. “Nunca é tarde para criar um bom hábito, seja cultural, de saúde ou relacionado à maneira como convivemos com outras pessoas”, afirma Kim.

O contato com a literatura desde a infância, porém, permite que essa experiência participe da própria formação dos meninos, numa fase em que estão aprendendo a reconhecer o que sentem, a compreender a si mesmos e a construir suas relações com os outros. Quanto mais cedo os livros fizerem parte de suas vidas, mais tempo terão para desenvolver e amadurecer esse repertório emocional e sensível.

Interseção de não lugares

Os anos que antecedem a adolescência despertam especial interesse em Kim. Entre os 8 e os 12 anos, faixa etária do Clube de Leituras para Miúdos, as crianças começam a conquistar maior autonomia e a fazer escolhas que podem influenciar sua relação com os livros por muito tempo.

“É um público leitor que vive uma grande interseção de não lugares”, observa.

Segundo ele, essas crianças já não se identificam tanto com o universo infantil, mas ainda não pertencem plenamente ao adolescente. Começam a reivindicar autonomia para escolher suas leituras, embora continuem influenciadas pelos adultos. Também estão próximas do universo das redes sociais, mas nem sempre participam dele diretamente. Algumas começam a se reconhecer como leitoras por prazer, enquanto outras passam a dedicar mais tempo a atividades que deixam a literatura em segundo plano.

O interesse por essa faixa etária também se relaciona à produção editorial brasileira, que oferece obras de qualidade para pré-adolescentes. Fazer com que esses livros cheguem às crianças, despertem curiosidade e encontrem espaço em suas vidas exige o envolvimento de famílias, escolas, escritores, editoras, livreiros, bibliotecários e responsáveis pelas políticas públicas.

Os clubes de leitura oferecem uma possibilidade concreta de aproximação. Podem ser organizados em escolas, bibliotecas, livrarias ou na casa de amigos, criando oportunidades para que crianças compartilhem histórias, conversem sobre personagens e acontecimentos, expressem suas interpretações e conheçam experiências diferentes das suas.

A importância desse contato desde a infância encontra respaldo no pensamento do sociólogo e crítico literário Antonio Candido, que, em seu ensaio “O direito à literatura”, de 1988, defende o acesso às obras literárias como um direito humano fundamental. Kim recupera uma passagem do texto em que Candido relaciona a literatura à própria formação humana:

“A literatura corresponde a uma necessidade universal, que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo, ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade”. Candido argumenta que a literatura dá forma aos sentimentos e à visão de mundo, organiza a experiência humana e amplia nossa capacidade de compreender a nós mesmos e aos outros. Sua defesa da literatura como direito humano ajuda a dimensionar o que está em jogo quando crianças crescem com poucas oportunidades de ler.

Para os meninos, essa experiência pode significar o contato com outras maneiras de sentir, pensar e viver, inclusive por meio de personagens e histórias muito diferentes daquelas que conhecem. Nas conversas sobre os livros, encontram oportunidades de ouvir, expressar dúvidas, reconhecer emoções e desenvolver um vocabulário para falar de si.

Trazer os meninos para a literatura interfere no tipo de leitor que se forma e nos recursos com que esses meninos chegarão à vida adulta. Um homem capaz de reconhecer o que sente, comunicar-se, escutar uma experiência diferente da sua e admitir a própria vulnerabilidade leva essas habilidades para as amizades, as relações afetivas, a família, o trabalho e a maneira como convive em sociedade.

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